Nova Jersey procura programadores Cobol

Photo by Adolfo Félix on Unsplash

Algumas reportagens noticiaram esse mês que o estado de Nova Jersey está a procura de programadores Cobol. Eu já havia comentado aqui e aqui, anos atrás, que a falta de profissionais qualificados nessa linguagem seria um problema crítico em algum momento no futuro.

Bem… eu não acho que esse momento tenha chegado (ainda), mas os sinais são cada vez mais claros.

A COVID-19, sempre ela

A pandemia da COVID-19 provocou um aumento súbito na demanda por determinados serviços públicos. Em Nova Jersey um número sem precedente de 362 mil pessoas deram entrada em pedidos de seguro desemprego num período de apenas duas semanas.

Muitos desses serviços dependem de sistemas que rodam em mainframes e foram escritos em Cobol, alguns há mais de 40 anos.

Mais demanda por serviços, mais dependência dos sistemas que os operam, mais necessidade de manutenções evolutivas e corretivas. Juntando tudo isso com a crescente falta de mão-de-obra qualificada em Cobol, vemos a crise que levou o governador do estado de Nova Jersey a convocar voluntários para trabalhar nesses sistemas.

Outros estados americanos reportaram problemas semelhantes. A governadora do Kansas disse que havia projetos em andamento para modernização de alguns dos sistemas operados pelo estado, mas foram interrompidos justamente por causa da pandemia. Connecticut também informou que estuda, junto com Maine, Rhode Island, Mississippi e Oklahoma, desenvolver um novo sistema de benefícios, mas que ele só ficaria pronto no ano que vem.

A CNN consultou um especialista em Cybersegurança que atribuiu essa falta de programadores ao fato de que algumas universidades americanas não ensinam Cobol desde os anos 1980.

Apesar disso, um estudo da Reuters de 2017 concluiu que existem cerca de 220 bilhões de linhas de Cobol em uso hoje em dia. 43% do sistema bancário foi construído em Cobol e 95% das transações em caixas eletrônicos dependem dessa linguagem.

Também no governo federal o Cobol ainda é usado em agências como o Departamento de Assuntos para Veteranos e o Departamento de Justiça.
 
Um relatório de 2018 da Administração de Seguridade Social informa que só essa agência possui 60 milhões de linhas de código Cobol ainda em funcionamento, e alguns milhões adicionais de outras linguagens legadas.
 
Outras reportagens sobre esse tema
 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *